Se algum dia morrer, espalharei todo o meu sangue numa superfíce estranha e polida, restando apenas um leve vestígio de fotografia baça e antiquada.
O monstro afogou-me e empurrou-me da janela, a uma menina pequenina. Agora toca-me e faz-me festas, desenhando um sorriso a lápis no meu rosto de expressão alheada. Perguntou-me que estranha estátua era aquela bola de ranho e papel. Quer que eu não chore, mas a morte do amor é sempre chorada e só os monstros e os anjos apenas choram na escuridão.
O amor fez-me esperar pelo monstro, mas porque trouxe ele consigo a sua morte?
A senhora velha fala-me a afaga-me a cabeça, segreda-me que atravesse as velhas janelas em pentágono de ferro corroído, que, translúcidas me separam do jardim que anseio.
Quando tu, monstro, me afogaste, rasgaste-me as entranhas e inundaste-me de uma leveza breve que me levou para longe daquele corpo de criança desnudo e febril. Por baixo da janela, esse corpo era massa amorfa de contornos apenas marcados pela penumbra abismal. O monstro impede a criança do espelho de me tomar pela mão, engolindo-me nessa absorção estática, alucinação de mim.
Tantas vezes pedi que te fosses embora meu amor, mas se és monstro, tornas-te anjo e aí irrompo no nada que é caminho de mim e de ti.
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